quarta-feira, novembro 25, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 231]

"É isso o que torna a morte tão difícil: a curiosidade não-satisfeita."
(Beryl Markham, West with the Night, 1983, p. 25)

"O maior dos erros é a pressa antes do tempo e a lentidão ante a oportunidade."
(máxima árabe)

quinta-feira, novembro 19, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 230]

É muito mais fácil culpar outra pessoa do que olhar para si mesmo.
(Edein French, 84 anos)

Quando um casal briga, na maior parte do tempo nenhum dos dois está ouvindo. Ambos colocam toda a energia que têm em sua própria defesa. Você vai se envolvendo pelo entusiasmo de culpar e isso é como um reflexo. Não requer qualquer esforço e acontece automaticamente, a menos que você se oponha com toda a sua força.
Mas se um dos dois conseguir parar e tentar compreender o outro, buscar ver realmente a mágoa da outra pessoa, a briga esfria imediatamente. Algo diferente acontece, algo interessante, em vez da mesma velha briga de novo e de novo.


Edein French fez aconselhamento de casais por mais de 50 anos. Nada a perturba porque ela já viu todo tipo de conflito e de reconciliação. Usando sua mente aguçada e seu coração sensível, ela é incansável em ensinar casais a fazerem seus relacionamentos funcionarem. Aos 84 anos, Edein ainda vê clientes de forma ocasional, tendo optado por diminuir o ritmo há apenas alguns anos.

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sexta-feira, novembro 13, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 229]

Primeiras reflexões sobre a vaidade humana (*)
(Flávio Gikovate)

...Exercemos o exibicionismo por todas as formas, desde a mais inofensiva, que é o de caráter físico até a mais perigosa, que corresponde ao exibicionismo intelectual. O exibicionismo intelectual é o mais grave, porque nossa razão deveria estar a serviço de nos ajudar a ver a realidade como ela é e também a nos posicionar de forma adequada diante dos fatos.
Nossa vaidade nos leva a desenvolver uma certa aversão aos fatos, especialmente aqueles que não combinam com o que gostaríamos que fossem os que efetivamente existem. Passamos a brigar contra a realidade e a substituí-la por nossas ideias. Num determinado momento, passamos a acreditar que nossas ideias correspondem aos fatos.
Não importa muito como achamos que o mundo e as pessoas deveriam ser. Temos que nos ater ao que é. Não importa acharmos que o amor é que deve nortear as relações entre as pessoas e que a sexualidade deveria estar acoplada ao encontro de parceiros compatíveis e legais. Isso é o que alguns pretendem, mas não é o que todos querem e nem mesmo o que se observa na prática da vida.
...A vaidade cega, subtrai o bom senso, nos afasta da realidade e do que é possível para nós. A vaidade nos afasta da reflexão útil e nos leva a querer ganhar discussões. Não é este o meu objetivo, como de resto nunca foi este o meu modo de me posicionar perante os problemas da psicologia. Acho que nós deveríamos nos voltar para os fatos e tentar interpretá-los de todas as formas possíveis. Mas os fatos e não aquilo que gostaríamos que eles fossem.

* Extraído e editado à partir do artigo original publicado pelo autor, em seu site.
** Flávio Gikovate é médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor.

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sábado, novembro 07, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 228]

"Os sonhos são os parâmetros do nosso caráter."
(Henry David Thoreau)

"Todos os homens que realizaram grandes coisas eram grandes sonhadores."
(Orison Swett Marden)

"Os sonhos podem frequentemente tornarem-se desafiadores, mas desafios são o motivo pelo qual vivemos."
(Travis White)

"Sonhos são formidáveis. Quando eles desaparecem você pode ainda estar aqui, mas você terá parado de viver."
(Lady Nancy Astor)

"Os problemas do mundo não podem ser resolvidos por céticos ou cínicos cujos horizontes são limitados por realidades óbvias. Precisamos de homens e mulheres que consigam sonhar com coisas que nunca existiram."
(John F. Kennedy)

domingo, novembro 01, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 227]

Continue no deserto

- Por que o senhor vive no deserto?
- Porque não consigo ser o que desejo. Quando começo a ser eu mesmo, as pessoas me tratam com uma reverência falsa. Quando sou verdadeiro a respeito de minha fé, então elas que começam a duvidar. Todos acreditam que são mais santos que eu, mas fingem-se de pecadores com medo de insultar minha solidão. Procuram mostrar o tempo todo que me consideram um santo; e assim se transformam em emissários do demônio, me tentando com o orgulho.
- Seu problema não é tentar ser quem é, mas aceitar os outros como são. E agir assim, é melhor continuar no deserto - disse o cavaleiro, afastando-se.


Perdoando os inimigos

O abade perguntou ao aluno preferido como ia seu progresso espiritual. O aluno respondeu que estava conseguindo dedicar a Deus todos os momentos de seu dia.
- Então, falta apenas perdoar os seus inimigos.
O rapaz ficou chocado:
- Mas não tenho raiva de meus inimigos!
- Você acha que Deus tem raiva de você?
- Claro que não!
- E mesmo assim você pede Seu perdão, não é verdade? Faça o mesmo com seus inimigos, mesmo que não sinta ódio por eles. Quem perdoa, está lavando e perfumando o próprio coração.


Qual o melhor caminho

Quando perguntaram ao abade Antonio se o caminho do sacrifício levava ao céu, este respondeu:
-Existem dois caminhos de sacrifício. O primeiro é o do homem que mortifica a carne, faz penitência, porque acha que estamos condenados. Este homem sente-se culpado, e julga-se indigno de viver feliz. Neste caso, ele não chega a lugar nenhum, porque Deus não habita a culpa. O segundo é o do homem que, embora sabendo que o mundo não é perfeito como todos queríamos que fosse, reza, faz penitência, oferece seu tempo e seu trabalho para melhorar o ambiente ao seu redor. Neste caso, a Presença Divina o ajuda o tempo todo, e ele consegue resultados no Céu.


O trabalho na lavoura

O rapaz cruzou o deserto, e chegou finalmente ao mosteiro de Sceta. Ali, pediu para assistir uma das palestras do abade - e recebeu permissão.
Naquela tarde, o abade discorreu sobre a importância do trabalho na lavoura.
No final da palestra, o rapaz comentou com um dos monges:
- Fiquei muito impressionado. Achei que ia encontrar um sermão iluminado sobre as virtudes e os pecados, e o abade só falava de tomates, irrigação, e coisas assim. Do lugar aonde venho, todos acreditam que Deus é misericórdia: basta rezar.
O monge sorriu, e respondeu:
- Aqui, nós acreditamos que Deus já fez a parte Dele; agora cabe a nós continuar o processo.

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segunda-feira, outubro 26, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 226]

Mike Plant tinha viajado boa parte do mundo com vinte e poucos anos, em excursões a lugares remotos que só os corajosos ou imprudentes tentariam visitar.
Marinheiro ávido desde garoto, Mike estava agora em Jamestown, Rhode Island, trabalhando na construção civil e desfrutando o mar sempre que possível. Tendo chegado aos trinta anos, a vida parecia estar deixando-o para trás, e ele estava faminto por um desafio, por uma oportunidade de se superar.
Uma noite um cinema local mostrou um documentário sobre o BOC Challenge, uma regata de navegadores solitários ao redor do mundo. Ele estava lá e foi fisgado. Não havia dúvida de que ele queria participar da próxima competição, que aconteceria dentro de dois anos. Para Mike, isso realmente testaria sua capacidade.
Os amigos e familiares ainda trabalhavam no barco quando foi dado o tiro de partida. Nada fora fácil. Ele conseguira um patrocínio mínimo, e por isso o barco fora literalmente construído por Mike e qualquer outra pessoa que ele conseguisse como voluntária, confiante que o dinheiro acabaria aparecendo.
Ele partiu mal equipado tecnologicamente, em comparação com os outros barcos, mas isso não importava, porque estava na regata e este era o seu sonho. A viagem levou oito meses, e durante esse tempo um grande amigo, que também competia, perdeu-se no mar. Foi o único momento em que ele chegou perto de desistir.
Mike venceu em sua categoria, e tem muito orgulho disso. Mas se você encontrá-lo algum dia, perceberá que ele não é presunçoso, e que se considera uma pessoa comum. É um marinheiro talentoso, conhecedor e hábil, mas foi sua atitude de nunca desistir que tornou possível sua extraordinária realização.

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terça-feira, outubro 20, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 225]

Se eu quiser falar com Deus
(Gilberto Gil)

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 224]

Evite mercadorias com muitas embalagens

Evite comprar produtos "superembalados" e, sempre que possível, prefira os bens não-embalados (como, por exemplo, alimentos frescos). Embalagens do tipo "caixinha-dentro-de-um-saquinho-dentro-da-sacola-dentro-do-sacolão" geram uma quantidade enorme de lixo.
Procure comprar produtos em embalagens que tragam quantidades adequadas para sua família. Por exemplo: se a sua família é grande, compre as bebidas nas embalagens maiores; se for pequena, evite as embalagens grandes e, consequentemente, o desperdício.
Não compre embalagens descartáveis de refrigerantes ou bebidas quando houver a possibilidade de comprá-las em embalagens retornáveis.


Cuidado ao manipular os alimentos

Na hora de comprar frutas, verduras e legumes, escolha com os olhos. Tocar os alimentos reduz a sua vida útil. Pegue o alimento somente depois de decidir o que vai levar. Assim, o produto será preservado por mais tempo.

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quinta-feira, outubro 08, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 223]

Qual o preço?

- O preço de viver um sonho é muito maior do que o preço de viver sem arriscar-se a sonhar? - perguntou o discípulo.
O mestre levou-o a uma loja de roupas. Ali, pediu que experimentasse um terno exatamente do seu tamanho. O discípulo obedeceu, e ficou maravilhado com a qualidade da roupa.
Em seguida, o mestre pediu que experimentasse o mesmo terno - mas de um tamanho muito superior ao seu. O discípulo fez isto.
- Esse não serve. Está muito grande.
- Quanto custam estes ternos? - perguntou o mestre ao vendedor.
- Os dois custam o mesmo preço. Apenas o tamanho é diferente.
Na saída da loja, o mestre comentou com seu discípulo:
- Viver o sonho, ou abandonar o sonho, também custa o mesmo preço, geralmente muito caro. Mas a primeira atitude nos leva a comungar com o milagre da vida, e a segunda não nos serve para nada.


A busca do caminho

- Estou disposto a largar tudo. Por favor, me aceite como discípulo.
- Como um homem escolhe seu caminho?
- Pelo sacrifício. Um caminho que exige sacrifício é um caminho verdadeiro.
O abade esbarrou numa estante. Um vaso raríssimo despencou, e o jovem atirou-se no chão para agarrá-lo. Caiu de mal jeito e quebrou o braço, mas conseguiu salvar o vaso.
- Qual é o maior sacrifício: ver o vaso espatifar-se, ou quebrar o braço para salvá-lo?
- Não sei.
- Então não tente orientar sua escolha pelo sacrifício. O caminho é escolhido por nossa capacidade de nos comprometer com cada passo que damos enquanto o percorremos.

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sexta-feira, outubro 02, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 222]

"A felicidade é não carecer de a termos."
(Lucius Annaeus Seneca)

"Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se!
Você quer ser feliz para sempre? Perdoe!"
(Tertuliano)

"Trabalha como se vivesses para sempre. Ama como se fosses morrer hoje."
(Lucius Annaeus Seneca)

sábado, setembro 26, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 221]

"No início da nossa vida e de novo quando envelhecemos, precisamos da ajuda e a afeição dos outros. Infelizmente, entre estes dois períodos da nossa vida, quando somos fortes e capazes de cuidar de nós, negligenciamos o valor da afeição e da compaixão. Como a nossa própria vida começa e acaba com a necessidade da afeição, não seria melhor praticarmos a compaixão e o amor pelos outros enquanto somos fortes e capazes?"

As palavras acima são do atual Dalai Lama. Realmente é muito curioso ver que nos orgulhamos de nossa independência emocional. Claro, não é bem assim: continuamos precisando dos outros nossa vida inteira, mas é uma "vergonha" demonstrar isso, então preferimos chorar escondidos. E quando alguém nos pede ajuda, esta pessoa é considerada fraca, incapaz de controlar seus sentimentos.
Existe uma regra não escrita, afirmando que "o mundo é dos fortes", ou que "sobrevive apenas o mais apto". Se assim fosse, os seres humanos jamais existiriam, porque fazem parte de uma espécie que precisa ser protegida por um largo período de tempo (especialistas dizem que somos apenas capazes de sobreviver por nós mesmos depois dos nove anos de idade, enquanto uma girafa leva apenas de seis a oito meses, e uma abelha já é independente em menos de cinco minutos).
Claro, existem momentos que este fogo sopra em outra direção, mas eu sempre me questiono: onde estão os outros? Será que me isolei demais? Como qualquer pessoa sadia, necessito também de solidão, de momentos de reflexão.
Mas não posso me viciar nisso.
A independência emocional não leva a absolutamente lugar nenhum – exceto a uma pretensa fortaleza, cujo único e inútil objetivo é impressionar os outros.
A dependência emocional, por sua vez, é como uma fogueira que acendemos.
No início as relações são difíceis. Da mesma maneira que o fogo: é necessário conformar-se com a fumaça desagradável - que torna a respiração difícil, e arranca lágrimas do rosto. Entretanto, uma vez o fogo aceso, a fumaça desaparece, e as chamas iluminam tudo ao redor – espalhando calor, calma, e eventualmente fazendo saltar uma brasa que nos queima, mas é isso que torna uma relação interessante, não é verdade?

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domingo, setembro 20, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 220]

Lembre-se com carinho de seus velhos amigos - você não vai tê-los para sempre.
(Betty Brown, 89 anos)

O mundo parece mais vazio desde que Gertrude morreu. Nós éramos as melhores amigas desde o jardim-da-infância e nos falávamos toda semana. Agora, quando o telefone toca no domingo pela manhã, au ainda dou um salto, pensando: "É Gertrude.". Sempre vou ficar triste aos domingos, sentindo a falta dela.
Você não deve nunca desperdiçar uma chance de passar algum tempo com um velho amigo. É claro que passagens aéreas são caras. Talvez você não goste do marido dela. Mesmo que vocês não vejam mais as coisas da mesma forma - que diferença isso faz? Um velho amigo pode estimulá-lo como ninguém mais é capaz. Ele sabe o que você aprontou. Conheceu seus pais. Estava com você antes que qualquer um de vocês soubesse quem eram. Há todas as velhas histórias, todas as velhas risadas. Depois de perdê-lo, não há como recuperar isso.

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segunda-feira, setembro 14, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 219]

"Olha ali, aonde as ondas barulhentas
Estrondam-se sobre o quebra-mar
Ainda faz pouco
Tudo era poesia
Enquanto houver beleza, ouvido e olhar.
Espere, aguarde...
Não te inquietes!
A vida não é só um combate rude,
É apenas uma sucessão contínua
De dias e noites;
Alegres ou tristes.
É uma eterna e bem clara lição
Perene promessa de renovação.
Reserva um lugar seguro
Dentro mesmo do teu coração.
Um local pequeno, porém puro
Aonde nele possa morar,
De hoje em diante,
Sem tardança,
De um modo perfeito e sempre,
Seu sonho e sua esperança."
(autor desconhecido)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 218]

Combatendo a injustiça

Diz T.H. Huxley: "As consequências de nossas ações são espantalhos para os covardes, e raios de luz para os sábios. O mundo é o tabuleiro de xadrez. As peças são os gestos de nossa vida diária; as regras são as chamadas leis da natureza."
Apesar de estar concentrado naquilo que faz, o guerreiro da luz não olha a injustiça com indiferença. Sabe que tudo é uma coisa só, cada ação individual afeta todos os homens do planeta, e se vê alguma pessoa sendo vítima de ataques covardes, ele usa sua espada para colocar as coisas em ordem.
Mas, embora lute contra a opressão, em momento algum procura julgar o opressor. Cada um responderá por seus atos diante de Deus, e - por isso - uma vez cumprida a sua tarefa, o guerreiro não emite qualquer comentário. Um guerreiro da luz está no mundo para ajudar seus irmãos, e não para condenar o seu próximo.


Aceitando alguns erros

O filósofo alemão F. Nietzche disse certa vez: "não vale a pena viver discutindo sobre tudo; faz parte da condição humana errar de vez em quando".
Entretanto, todos nós conhecemos pessoas que fazem absoluta questão de estarem certas nos menores detalhes. Nós mesmos, muitas vezes, nos incluímos nesta categoria: não nos permitimos errar. Tudo que conseguimos com esta atitude é o pavor de seguir adiante - porque certos passos exigem decisões novas, cujos resultados desconhecemos.
O medo de errar é a porta que nos tranca no castelo da mediocridade: se conseguirmos vencer este medo, estamos dando um passo importante em direção a nossa liberdade.

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quarta-feira, setembro 02, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 217]

"O tempo é uma coisa criada. Dizer 'Eu não tenho tempo', é o mesmo que dizer, 'Eu não quero'".
(Lao-Tzu)

"Você deve viver no presente, lance-se em cada onda, encontre a sua eternidade em cada momento."
(Henry David Thoreau)

"Nada é menos merecedor de honra que um homem velho que não tenha nenhuma outra evidência de ter vivido muito, a não ser sua idade."
(Lucius Annaeus Seneca, 'O jovem')

"A vida não é perdida através da morte; a vida é perdida minuto a minuto, através do dia a dia aborrecido, e em todos os milhares de modos medíocres."
(Stephen Vincent Benet)

"O futuro não é algum lugar que estamos indo, mas um lugar que estamos criando. Os caminhos não são para ser encontrados, mas criados. E a atividade de criá-los faz com que mudem tanto o criador como o seu destino."
(John Schaar)

quinta-feira, agosto 27, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 216]

A maior viagem

O surf ensina muito a quem está a fim de aprender. Ele, em sua forma pura, uma manifestação límpida e evidente de vida, ensina sobre coisas variadas. Inclusive sobre a morte. Mostra a todo tempo nossa fragilidade diante das forças que nos rodeiam, nos lembra que ela está por perto e assim nos faz fruir mais e melhor os momentos vividos.
...Talvez a morte seja mesmo, como diz a psicanálise clássica, o supremo redutor de tensões. Mas acreditamos que ela deva estar mais perto dos nossos olhos para vivermos mais e melhor e, também, que ela possa ser a maior viagem.
(Paulo Anis Lima, 10.08.2009)


...Viver é morrer lentamente, sim. Isso é real. Qualquer biólogo pode fundamentar cientificamente esse fato. Sem romance. Essa é a natureza do ser vivo que somos. A ideia de morrer lentamente é boa porque nos ajuda a ter mais intimidade com a morte e assim entendemos melhor a delicadeza e a inteligência do viver.
Acredito que a intimidade com a morte nos proporciona mais intimidade com a vida, nos aproxima da beleza da destruição e do caos que é vital para a nossa evolução. Mas o medo de morrer nos faz negar a realidade da morte. Assim, quando ela chega, nos surpreende, ou melhor, nos assusta e aterroriza, como se não fosse esperada, como se não pertencesse ao universo dos seres vivos.

Demorei para apagar do meu imaginário a figura apavorante da morte que aparecia sempre de repente, vinda de outro mundo, como alguém que chegava para pôr fim a uma festa à qual não tinha sido convidada. A imagem da morte como penetra indesejável, invasora repentina, como fato pontual, impede que a gente conviva com ela como fato natural com o qual negociamos a cada segundo. Justamente porque a morte é um mistério amedrontador e porque vem acompanhada do sentimento de perda, a intimidade cotidiana com ela é necessária.
Não estou dizendo que é simples nem fácil. Mas que é necessário para entender a dinâmica da vida e poder negociar com a morte com mais competência, lentamente. Quem vive a morte lenta vive mais porque cuida melhor da vida. E, o melhor de tudo, não se assusta e não sofre tanto com o fim que com certeza chegará.
Daqui do alto dos meus 60 anos, convivo cada dia com mais intimidade com a morte e posso dizer que ela não me amedronta. Pelo contrário, me desperta muita curiosidade. Se posso dar um conselho para os que ainda estão longe dos 60, aqui vai: morram lentamente! Não deixem para a última hora. A vida agradece.
(Ricardo Guimarães, 10.08.2009)

sexta-feira, agosto 21, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 215]

Frequentemente, as forças do mal são mais sutis e menos manifestas. Quase tão horrível como o mal em si é a sua negação, como no caso das pessoas que passam pela vida vendo tudo cor-de-rosa. Na verdade, a negação do mal pode em certos sentidos perpetuar o próprio mal. No livro 'Em Busca das Pedras', escrevi sobre essa tendência, comum em muitas pessoas com boa situação financeira, cujo dinheiro isola-as no seu mundo de opulência. Elas não conseguem realmente enxergar a pobreza que existe bem perto delas, e assim evitam aceitar qualquer responsabilidade que por acaso tenham no problema. Muitos pegam o trem todos os dias nos seus refúgios suburbanos, para trabalhar no centro de Nova York, sem tirar as vistas de seus jornais quando passam pelos setores mais empobrecidos do Harlem. As favelas tornam-se invisíveis e o mesmo acontece, assim, com quem nelas está imerso.
De outro lado estão aqueles que têm cínica opinião a respeito do mundo e parecem acreditar que o mal se esconde detrás de tudo. A visão deles é sombria e fatalista, mesmo em meio à inocência e à beleza. Eles procuram o pior em tudo, sem nunca reparar no que é positivo e dá sustentação à vida. Quando o desespero e o cinismo são como demônios para nós, arriscamo-nos também a perpetuar o mal. Embora não possamos evitar os nossos demônios, podemos optar por não lhes dar as boas-vindas nem nos aliar a eles. Para sermos sadios, devemos combatê-los pessoalmente.

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sábado, agosto 15, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 214]

"Infeliz é o espírito ansioso pelo futuro."
(Lucius Annaeus Seneca)

"Meu futuro começa quando eu acordo toda manhã - todos os dias eu encontro algo criativo para fazer com a minha vida."
(Miles Davis)

"Enquanto você não valorizar a si mesmo, você não valorizará o seu tempo. Enquanto você não valorizar o seu tempo, você não fará nada com ele."
(M. Scott Peck)

"Cada hoje, bem vivido, faz do ontem um sonho de felicidade e de cada amanhã uma visão de esperança. Cuide, portanto, deste único dia, pois ele e somente ele é a vida."
(Poema Sânscrito)

"Não deixe o medo do tempo que levará para realizar algo ficar no caminho de fazê-lo. O tempo passará de qualquer forma; devemos igualmente colocar esse tempo passageiro no melhor uso possível."
(Earl Nightingale)

domingo, agosto 09, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 213]

Dúvidas do cotidiano
(Flávio Gikovate)

As pessoas comentam que a paixão, aquele estado inicial do encantamento amoroso no qual o coração bate forte e tudo parece fascinante e assustador ao mesmo tempo, corresponde ao período mais interessante do relacionamento amoroso. Depois, com o passar do tempo, tudo tende à rotina e a uma certa monotonia já que a intensidade do amor diminui. É mesmo assim que as coisas acontecem?
Resposta: Penso de um modo diferente sobre o amor e a paixão. Acho a paixão uma condição dolorosa e na qual passamos muito medo: medo de perder aquela pessoa que, apesar de mal conhecermos, se transformou em essencial para nosso bem estar e felicidade; medo também que a relação evolua, condição na qual os compromissos mais sérios podem não estar nos nossos planos para aquele momento da vida; enfim, medo de um grande sofrimento, já que toda constituição de um elo é o embrião de uma possível ruptura! O amor, condição que se segue, corresponde a uma situação na qual os medos diminuíram muito tanto porque já conhecemos melhor o amado e desenvolvemos alguma segurança no relacionamento como porque já aceitamos de nos comprometer. Assim, paixão é amor + medo. Com o fim da paixão, vai embora o medo e o amor se mantém igual. Com o fim da paixão, acaba o filme de suspense e começa o filme de amor, mais calmo, mais doce. Amor é paz e aconchego ao lado de uma outra pessoa. Não é monótono e nem chato, mas é só isso. Acho ótimo que seja assim. Acho que temos que aprender a buscar nossas emoções mais fortes em outras áreas ao invés de tumultuarmos nossas relações amorosas. Vivenciamos tensões fortes e grande incerteza na vida prática, no trabalho, nos esportes etc. No amor, devemos buscar nosso porto seguro, adorável se houver companheirismo e afinidades intelectuais, além, é claro, das deliciosas sensações que as trocas de carícias eróticas determinam.


Como definir uma pessoa má? Trata-se de uma característica inata ou é algo que foi adquirido ao longo dos anos de formação? Como ajudar alguém a evoluir moralmente?
Resposta: Trata-se de uma questão muito complexa, mas eu penso que, para a grande maioria dos casos, a maldade é filha da fraqueza. Ou seja, não acredito que existam pessoas que gostem de ser más e se orgulhem disso. Atos maldosos são, quase sempre, derivados de emoções que escaparam do controle da pessoa, especialmente aqueles que dependem da inveja: ao admirar e valorizar algo em outra pessoa, a criatura mais fraca se sente diminuída e humilhada pela presença daquela virtude. Não sendo capaz de se conter, reage violentamente ao que foi sentido como uma agressão – a presença, no outro, da qualidade admirada e não possuída. Pessoas imaturas, egoístas e pouco tolerantes a contrariedades e frustrações é que fazem parte daquelas que chamamos de más, justamente porque investem contra nós sem que tenhamos feito algo de negativo para elas. Reagem com raiva pelo simples fato de sermos do modo como somos e isso lhes mostrar suas limitações e incompetências. É por isso que penso que se essas pessoas egoístas e invejosas conseguirem evoluir emocionalmente, o que implica em aprenderem a tolerar melhor as dores da vida, poderão perfeitamente se tornar criaturas portadoras das virtudes que tanto invejam. Tudo isso faz parte das nossas aquisições ao longo da vida e pode ser alcançado em qualquer idade. A verdade é que os egoístas gostam de mostrar que estão felizes mas não é verdade. Quem está feliz não age de forma agressiva – e gratuitamente – contra ninguém. Pessoa feliz não tem tanta inveja, não é tão insegura e ciumenta. É hora de pensarmos de forma mais séria sobre nossos valores morais e aqueles das pessoas que nos cercam. Uma sociedade que defina de modo mais claro o que são virtudes e o que são vícios ajudará tanto os adultos como suas crianças a evoluírem de forma mais rápida na direção da maturidade emocional e moral, condição fundamental para que as pessoas possam se sentir felizes, orgulhosas de si mesmas e, portanto, menos invejosas. Quem está bem se preocupa menos com os outros, com o que têm ou deixam de ter. Estão mesmo é interessadas em alcançar seus objetivos.

* Flávio Gikovate é médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor.

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segunda-feira, agosto 03, 2009

Lições para 'o caminho' [Km 212]

Como é que uma pessoa faz diferença? A história do mundo é simplesmente uma crônica dos feitos de um pequeno número de pessoas comuns que tiveram níveis extraordinários de empenho. Esses indivíduos que tiveram o poder de fazer uma diferença significativa na qualidade de nossas vidas são os homens e mulheres que chamamos de heróis.
Quem são seus heróis?
Acredito que você e eu - e todas as pessoas que conhecemos - temos a capacidade inata de sermos heróicos, de darmos passos ousados, corajosos e nobres para tornar a vida melhor para os outros, mesmo quando a curto prazo pareça que isso ocorre às nossas custas.
A capacidade de fazer a coisa certa, de ousar assumir e fazer diferença, está dentro de nós. A pergunta é: quando chegar o momento, você vai lembrar de que é um herói e reagir altruisticamente para apoiar os necessitados?
O que faz um herói? Um herói é uma pessoa que contribiu corajosamente mesmo sob as circunstâncias mas desafiadoras; um herói é um indivíduo que age de modo altruísta e exige mais de si mesmo do que os outros esperariam; um herói é alguém que desafia a adversidade fazendo o que acha certo, apesar do medo.
Um herói não é uma pessoa "perfeita". Nós não teríamos heróis se o padrão fosse este. Todos cometemos erros, mas isso não invalida as contribuições que fazemos no decorrer da vida. Heroísmo não é perfeição; heroísmo é humanidade.
(Anthony Robbins)